terça-feira, 7 de julho de 2015

Deepland



In the realm of sound 
Through the hallow bricks road 
At night 

We shall reach 
The king tree of heartbeat 
And sigh 

Count to three 
Take a deep breath of the stars 
Do jump 

When everything you hear is extasy the existence and rest cease to be. 
Just the hear. Hear. Heart. Beat. 


*** 


No reino dos sons 
Pela estrada de tijolos sagrados 
À noite 

Devemos alcançar
A batida no coração da árvore rainha 
E inspirar

Conte até três
Tome fôlego nas estrelas 
E pule 

Quando tudo que se ouvir for êxtase a existência e seu resto deixam de ser. 
Só teu peito. Corta. Som. Coração.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Aos ratos com minha esperança.

Que os vermes se fartem com meus desejos, são atrofiados, de pernas curtas. Estejam atentos nas valas, bueiros e covas, todos os comparsas deste holocausto idiossincrático. Perante meu comando, abocanhem tudo que se mover dentro de meu coração, nos saciem. Ao gosto dos rastejantes, sempre haverá desesperados e entortecidos sentidos de gente, magros e famintos, com um terrível sabor de amora. Comam, na calada da noite, todas as prospecções e pretensões de quem jamais lerá o futuro, devorem qualquer essência das que me diluem numa poça amarga de sorriso. Deixem apenas o granito profundo, ordeno, nesta massa disforme de lucidez e eco.

sábado, 4 de abril de 2015

recto revés

Após a prévia morte, a encurvada e espessa dor reclama seu pedaço de alma. A velha e renegada conhecida de longos lutos sorri com seu túmulo lancinante no rosto, e, pela beirada, se vê, a qualquer momento se pode voar em soterramento livre para o fim de todos os começos. Mais um trago, mais um estrago na corrente da existência. Mais um passo desenfreado, descompassado e arrebatador pela fenda escancarada, mascarada de agonia. Exaurido em asfixia, em paralisia desperto, na casca solta de cada sonho caiado ao revés. Em tempo e augúrio de deslumbre e desvanecimento. E por todo caminho, todo trilho e aroma, ruído e vislumbre, por todo canto se estende, corrompe e tatua o silêncio cardíaco do desgosto, suposto chamado futuro.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Cuidado com teu abismo, cuidado! A beirada te suga e assopra, teu lado oculto ensurdece e grita, malogra a cautela de tua rotina. Cuidado, o vazio ecoa em teu ouvido, cuíca penada, rasgada na tua sandice! Cuidado menina, estas vozes não são as tuas, estes olhares laceram tua retina, tua vaidade não te atina de que, no fim, tua alma é imberbe e nua.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Warsaw

Não era puramente pelo ver. Ela, parada à janela, esquadrinhava o mar de luzes e sombras, a floresta de carros, gentes e outros sons. Olhava e fazia silêncio.
Era um farol de olhar emanando quietude para a cidade.
Ela olhava e se perguntava.
Era especialmente pelo perguntar. Se esforçava tremendamente para perceber. As coisas todas tinham um significado, uma importância oculta ou codificada.
Queria saber se existia algo em seu coração, se existia o coração dos outros sons, e árvores e pedras.
Tanto as gentes quanto os bichos, ela queria saber.
Assim, aparava o olhar do outro com ambas as mãos e mergulhava seu silêncio inquiridor, com atenção, para ouvir o que pudesse passar entre os dois, o que quer que pudesse ligar os seres.
Pois não só via, tão simplesmente - também escutava, plácida e desesperadamente, até o menor dos silêncios. O seu medo não era o silêncio, ou mesmo o escuro. Seu medo, íntimo e surdo, era o da confusão.
Havia sempre uma parte, uma voz, que ela não sabia dizer de onde, que era seu medo de estar errada, do vazio. De ser essa voz seu espelho cego, de ser ela a sua própria voz, acobertada por todos esses quereres e desejos esperados em demasiada alerta.
E o farol piscava por um breve momento.
Como saberia, especialmente na Hora da Descrença, onde terminava seu olho e começava o mundo?
E nessa hora, mais que em qualquer outra, o mundo parecia extasiadamente silencioso.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Anthologie de toujours

Por este amargor fugaz,
entremeando desejos,
extinguindo beijos,
o futuro não deixa paz.

Pela falta de mim,
ou por mim que quero,
por ti que não espero,
e nunca te dou fim.

Pelo peito que silencio,
pelo coração que vendo,
o sorriso que remendo,
no ouvido o arrepio.

Por um antes de outra vida,
e pelo amor de agora,
fique sempre e vá embora
minha solidão querida.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Este arreganhar de dentes
Incontestável
Secreto e ofuscante
Rasgando a suavidade do destempero
Irônico em meu rosto
Cortando meus lábios secos
Mostra uma face indecorosa
De minha sanidade