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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015



Na ânsia de saber a vida,
me banho em café e fumo meus dedos,
até ver o beco sem saída
no labirinto eterno de certezas e medos.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Bela, como a beleza cristalizada em uma forma, um sorriso da natureza, és uma flor. Em todas as pétalas, em delicadeza, suavidade e perfume. Bela e simples, como é.
Deves, então, despedaçar-te em cristal quebrado, em pontas salientes e danos atônitos, transtornar-te pela loucura da mudança.
És bela, flor, porém és apenas flor, que encanta a outros, sem nunca dar-se ao encantamento. Deves despetalar-te, flor, em todas as certezas, porque tua vida cresce e deve crescer, além de árvore ou semente.
E deves, por fim, flor, ser o mundo inteiro além da flor, ver e ser visão, além do teu espaço no chão e do vento que te voou as pétalas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Existem muitas pontes, muitas jornadas a se escolher. Tantas pontes e tudo o que você quer é queimar sua existência, queimar cada ponte, queimar cada gota de motivo, queimar cada pestana desse olhar maldito que te vive. Tudo o que você quer é, com sua piromania, transformar em cinzas todo Fio de Ariadne, transformar todo teu resto em fumaça e faíscas. Você quer ver queimar os olhos que ama, os olhos que odeia, os seus próprios. Queimar até lágrimas. Não te importa que já te seguissem, não te importa o caminho dos outros, nem as almas que queimaria com tua ânsia sanguínea em derrotar tuas pontes. E cada vez que atravessa uma, que cruza uma estrada, que se apóia em uma pedra, cada vez que sua existência infértil encosta e se aproveita de tudo que lhe estende a pata – fogo, fogo é seu único pensamento.

domingo, 2 de setembro de 2012

When we get bored
we eat
When we get sad
we eat
When we get nothing at mind
yeah, we eat

terça-feira, 29 de maio de 2012

sexta-feira, 26 de novembro de 2010


     A casa do Arlequim é preta e branca: um lado do telhado é preto o outro é branco, um lado da casa é branco e o outro é preto.


          Já a do Coringa é colorida ao modo dos antigos palhaços e
    cuspidores de fogo.


                      Mas ambas são confusas.

domingo, 21 de março de 2010

Tremel


         Tremeluzentes, escuros e apagadiços como as lembranças, voam os pássaros e agitam-se imóveis os galhos da árvore, no passo que me vou, e abandono minha memória ao vento inquieto com todas as suas partículas de poeira que um dia tocaram minha pele e adentraram meus pulmões.