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terça-feira, 2 de abril de 2013

Bela, como a beleza cristalizada em uma forma, um sorriso da natureza, és uma flor. Em todas as pétalas, em delicadeza, suavidade e perfume. Bela e simples, como é.
Deves, então, despedaçar-te em cristal quebrado, em pontas salientes e danos atônitos, transtornar-te pela loucura da mudança.
És bela, flor, porém és apenas flor, que encanta a outros, sem nunca dar-se ao encantamento. Deves despetalar-te, flor, em todas as certezas, porque tua vida cresce e deve crescer, além de árvore ou semente.
E deves, por fim, flor, ser o mundo inteiro além da flor, ver e ser visão, além do teu espaço no chão e do vento que te voou as pétalas.

domingo, 2 de setembro de 2012

When we get bored
we eat
When we get sad
we eat
When we get nothing at mind
yeah, we eat

segunda-feira, 28 de maio de 2012


De drogas amorfas
fel de pudor
cicuta inerte
dispor de armas
cru o peito
carne que apodrece
sabor mórbido
espasmos imberbes
Carrancas máscaras
alquimia pútrida
domínios impossíveis
de expurgar dor inata
sumo de ira plácida
filho morto
monstro ativo
já putrefata

quarta-feira, 9 de maio de 2012

De mordaça

Muzzles
Ando precisando de algo que não posso pedir. Nunca pediria, e, fazendo-o, não encaixaria mais na minha necessidade.
Preciso, de um jeito mudo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012



se calhava de eu escorar no teu ombro, ser perto, como uma pessoa faz, eu podia
mas não consigo, acho estranho só pensar
também acho estranho ser assim, já foi tão fácil, alguma vez
então jogo pra trás a ponta do cachecol surrado dentro do meu peito
e me constranjo de ser isso

terça-feira, 10 de abril de 2012

Não esperava chorar hoje. Mas nessas horas o sono de capricho se atrasa e a mente momentaneamente sem supervisão passeia por onde cuido em não me ater.
Não gosto de chorar porque estou fria e tudo fica muito quente no meu rosto quando choro. Nem gosto desse aperto no peito que me comprime o tórax como se espreme pano de chão. Ou do bolo que sobe a garganta até entupir o nariz.
Não esperava chorar essa noite. Tudo é tão estranho.
Quero dormir.

domingo, 25 de março de 2012

Ela era feita de medo, toda ela. Nem parecia. Era uma contradição ambulante. Uma contradição gigantesca, porém fácil, muito fácil de ler. Mas ninguém se interessa em ler nesses tempos. Podia ser mais que uma contradição, afinal, se precisa de força para viver com medo. Medo de olhos bem abertos, medo que sabia o que estava fazendo.
Ela nunca falava nada além do que o medo lhe sussurrava, e sabia, até antes que o medo lhe tomasse como essência, que se o fizesse, ele a envolveria os ombros com um braço frio, mas protetor, desculpando-a por sua besteira. E ela prometeria nunca mais fazer de novo.



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Portratos

E se veria meu rosto por entre o relevo das tuas meias. Minha noite, meus olhos e meu esmalte vermelho. A rainha, a rainha quando está nua não aponta a tolice de ninguém, rainha ainda é rainha quando perdida entre os servos. Se veria meus olhos.

Eu a vi. Numa cama prateada de cobertores negros. A bela, a bela era branca como a luz da lua. Ela repousava, fascinei-me Luiz!, repousava em seu leito com os cabelos soltos, parecia feliz a minha dama. Mas então seu leito flutuou para longe, levou minha bela dama.

Me deixe repousar a cabeça aqui. Nem precisa parar, nem fazer qualquer coisa. Só quero apoiar a cabeça aqui um pouco, o que pesa nela, não se importe. Eu só quero... só quero fingir um instante que não sou tão só.

Sou aquele fantasma branco no teu quarto. Aquela memória vaga esperando pra ser lembrada. O feixe de luz que escapa da brecha, mas morre embaixo da cama. Sabe de mim o que imagina. Sou teu. Teu fantasma.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010


     A casa do Arlequim é preta e branca: um lado do telhado é preto o outro é branco, um lado da casa é branco e o outro é preto.


          Já a do Coringa é colorida ao modo dos antigos palhaços e
    cuspidores de fogo.


                      Mas ambas são confusas.