Mostrando postagens com marcador Psychos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psychos. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de janeiro de 2018

Boca Ansiosa




Entortada pra direita, desce a porta entre estalidos, "open the gates!", com suas marcas e rachaduras secas, duas grandes à frente pra dois dentes grandes. Dentes-serra, mal cerrados no metal, finos, turvos, frágeis, lentos e apressados, acetinados no ácido, perigosos, nicotinados mas não mais. Por trás deles o silêncio gordo recua em pânico a língua acuada, em guarda, cobra - ladeada de atritos duros e danificados, "grandes como couves" que crescem e rangem dia e noite. No escuro das paredes, um raio-X de linhas brancas espinhadas, duas espinhas espelhadas de peixes mortos, cicatrizes na carne rosa, riscadas do obscuro até as presas. Carne mole presa na engrenagem do movimento perpétuo, abre-fecha, mexe, sempre mordendo presas. No fim de cada dia, o tremor que escapa é capturado em pequenas jaulas de pretos e brancos, pontos de insistência e sangue contido, detidos antes de saltar da boca ansiosa.



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Darkness falls across the land

Anseio por alguém que me fale da escuridão.

Que  tenha  olhos  calmos  de  loucura  e  nos  dedos  o  suave  amargor  de  fumaça.

Preciso que  me  carregue  na   cegueira,   até    romper    a     plasticidade      da       calma.

Que me singularize na seda do silêncio,
conte o que de verdade há na aflição,
o mistério nauseante na massa das horas,
me apresente o voo completo pela casa da noite.

Alguém que me ofereça um café.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Dying seagull phoenix.

  I have never said no when you started saying yes to me. 
  Now I deny you. 
         I deny your share of me, your voice that claim and your lack of reason. 
  I refuse you the future.

  The power of the flesh chases me to the corners of oblivion. 
   Who's the one who must know when the restless silence will bring peace?
I long for smothering you in dust.

  While this breath surronds my neckuntil my heart is my own, I shall dry you to death.

   But, I must say, if you succeed to rise up to a meaningfull state of life,

    Only come for me if the certain is I can sail the seafaring happines
of a life with meaning.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Sarau Dama da Noite

A vida é feita de esquecimentos e desilusões, já diria alguma parte fumante de mim.
Eu olho pro lado e penso, ela me vê viver desregradamente dentro da minha cabeça, e nunca diz nada até que o circo tenha se reduzido à cinzas.
Me coloco uma jaqueta pra enfrentar as cifras da noite, e agradeço a mim pelo abrigo. Recuso a dose de nublificante e penso em responder.
Cada vez tuas pernas tão mais fortes, tem de ser. Vais te esquecer disso, certeza. Mas, até lá, respira, olha pra cima. Tem alguém lá.

sábado, 4 de abril de 2015

recto revés

Após a prévia morte, a encurvada e espessa dor reclama seu pedaço de alma. A velha e renegada conhecida de longos lutos sorri com seu túmulo lancinante no rosto, e, pela beirada, se vê, a qualquer momento se pode voar em soterramento livre para o fim de todos os começos. Mais um trago, mais um estrago na corrente da existência. Mais um passo desenfreado, descompassado e arrebatador pela fenda escancarada, mascarada de agonia. Exaurido em asfixia, em paralisia desperto, na casca solta de cada sonho caiado ao revés. Em tempo e augúrio de deslumbre e desvanecimento. E por todo caminho, todo trilho e aroma, ruído e vislumbre, por todo canto se estende, corrompe e tatua o silêncio cardíaco do desgosto, suposto chamado futuro.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Cuidado com teu abismo, cuidado! A beirada te suga e assopra, teu lado oculto ensurdece e grita, malogra a cautela de tua rotina. Cuidado, o vazio ecoa em teu ouvido, cuíca penada, rasgada na tua sandice! Cuidado menina, estas vozes não são as tuas, estes olhares laceram tua retina, tua vaidade não te atina de que, no fim, tua alma é imberbe e nua.

domingo, 21 de abril de 2013

Devo calar-me. Devo calar também minha mente surda. Começar a vida que não tenho.
Vejo tudo, Luiza. Vejo a grade, vejo o perfume daquele a quem magoei.
Vejo o que não sou. Vejo a energia que me queima as mãos, me rói o estômago, me dá náuseas e estática nos olhos. Vejo o amigo, vejo o estranho, vejo o amigo estranho, as ruínas.
Assim como destruí as flores um dia, destruí o som, o passo. Assim mesmo sequei novamente a flor, os sons, as pedras. Os passos no entanto continuam, martelo no oco do mundo. Para canto nenhum onde vão todas as coisas essas.
Vejo, Luiza
vejo que esse mundo me cegou.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Chama Azul

Queria, por uma vez, transformar-me em fogo, em ardência pura e anseio. Queimar-me, consumir-te a pele. Num palpitar de faíscas te correr o corpo, num flamejar possesso de furor e loucura. Em força e calma urgência, mergulhar na combustão inflamável do querosene, até a fronte de chama derreter, em lábios lascivos e fulgurantes de sede e brasa satisfeita. Incendiar.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Blank


Na planície dos tempos eu vivo. Não há segredo que me liberte, não há mundo. Nada é proibido e, mesmo assim, nada é meu. Na planície é silencio. Mesmo o galope é imaginário e mesmo  o imaginário é pura sombra, eco passado. Não há promessa que espere, nem desejo que arda. Na irrealidade da conquista reside meu desengano. O tempo da planície me consome. Mesmo numa brecha de anseio em que deseje uma pausa, temporária que seja, esta mesma se consome em sua própria consciência. Não há código, nem conjuro, quimera que resista. Não há palavra que salve, posto, não há com quem trocá-la. A planície engole a seco amor e resistência. Olhar e objeto. Em aborto e inércia, dissolve. Voz e mistério.
Não há segredo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Casa dos sonhos

Frases e frases ecoam no campo de concreto. Sapatos pequenos e descoloridos das filhas das máscaras, que dançam com os rostos sempre em perfil. Um parceiro gentil após outro, cada um mais sombrio que a sombra de seus próprios parceiros, e suas vestimentas. A mão morna na luva fina, o olhar bailando pelas paredes dando as costas aos olhos. É necessário olhar o azul das paredes, o azul das cúpulas, o branco dos balaústres e vasos, o floreado dos ornamentos e vestes. Desfrutar do pálido creme dos tecidos, do pálido dos rostos, da ausência de perfumes. O rosto, suave, recebendo as mentiras em sorriso e aquiescência, o abraço à agulha fria, recriando níveis sonoros diversos para a melodia silenciosa dos quadros.
Ecoam no silêncio as frases do poeta morto, que nunca ousou recitar a vida e, mais profundamente, a morte da loucura na casa dos sonhos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Novo Silêncio

Me movo de pés descalços na pedra crua fria que atravessa o rio faminto de quem soturno me quer matar

De traços finos e olhos vazios no meio do nada da noite acerto em cheio a sombra da sina distinta do medo

Se de passo em passo em lento cortejo me apego na alma de odor nauseado a espera infértil e débil do novo silêncio

A esquina transforma em silvo e fumaça na sombra silente que passa nas veias e espero ao menos agora que possa morrer

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Se espalha na melhor cadeira, parece esperar algo.
Destilar é a palavra. Um líquido espesso e escuro destila numa taça. O calor que ilumina a sala destila o tempo. O calor de seu próprio corpo destila o contido em sua mente.
Os saltos assimetricamente suspensos brilham um vermelho escuro do sangue que lhe caça por dentro. A sala, a luz, a cadeira, Dolores, tudo é uma imagem estagnada, um calor congelado onde redemoinham dores também escuras.
Dolores em si própria é a mais bela das dores.
Seu peito move-se na pulsação do que corrói, amargando tudo que se vê. Não vê nada, nem Dolores. Tudo gira e evolui num compasso vertiginoso, dentro, fora, em surdo e alto.
Dolores não espera coisa alguma.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Existem muitas pontes, muitas jornadas a se escolher. Tantas pontes e tudo o que você quer é queimar sua existência, queimar cada ponte, queimar cada gota de motivo, queimar cada pestana desse olhar maldito que te vive. Tudo o que você quer é, com sua piromania, transformar em cinzas todo Fio de Ariadne, transformar todo teu resto em fumaça e faíscas. Você quer ver queimar os olhos que ama, os olhos que odeia, os seus próprios. Queimar até lágrimas. Não te importa que já te seguissem, não te importa o caminho dos outros, nem as almas que queimaria com tua ânsia sanguínea em derrotar tuas pontes. E cada vez que atravessa uma, que cruza uma estrada, que se apóia em uma pedra, cada vez que sua existência infértil encosta e se aproveita de tudo que lhe estende a pata – fogo, fogo é seu único pensamento.

sábado, 8 de setembro de 2012

Uma forma oscila de mim. Meu demônio tem forma feminina. Bem diante de meus olhos, sua cor turva transcende o resto, minhas mãos tocam suas formas. Tão certo sua natureza ser a minha quanto minha natureza ser a sua, certo como devemos ser feitos do mesmo movimento, assim certo, como deveria eu repudiar tal saimento? E, no entanto, como deveria acolhê-lo? Esta forma, de toque frio e vaguear certeiro, através da qual vejo o mundo das cinzas, sorri quando a olho de frente, e sorri quando quero que minha respiração não a toque. Devo eu, verdadeiramente, não merecê-la, quando, enfim, somos dois fantasmas, juntos?
Por que rezo, se muitas vezes não sei para quem estou a rezar?

domingo, 8 de julho de 2012

Einsamkeit

Ela se engancha nos próprios braços. O silencio que entope seus olhos. O calor que amortece suas veias em profusão. Seu sangue solitário percorre possesso nos dedos sequiosos a face rebelde de sua pele. Todo seu corpo pulsa, ela é toda coração. É inegável neste momento, está viva. E sente, vibra, quente de enlevo e frenesi.
E nesses braços seus que a enlaçam com o ardor da morte, repousa a fria saciedade da inconsciência. A saber, seus lábios sem beijos, que o amargo em seu peito não é o início da loucura.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Persianas

Ela passa o dedo no sapato, no brilho apagado no sapato. Seu quarto reluz a luz que lhe falta. Seus olhos estão cansados, os dedos de pura seda de Regina são frios e tensos. Ela andou, olhou, virou-se e revirou-se dentro dos calafrios que a perseguiam num incessante jogo de incesto e ódio. Quis amar, Regina era uma menina. Uma contradição de inocência e loucura. Ela foi a limpar seu armário, lá dentro, no entanto, na escura limpeza do armário de Regina, havia revolta e perdição, havia a tristeza de todas as gerações, bichos inomináveis e o pouco mais que as letras não a ensinariam. E a lucidez da menina, cansada como a penumbra que repousa inerte na sacada de seus olhos, andou passo a passo para trás da cortina de seu quarto, que fazia o silêncio da tarde. No quarto, encolhida em seu vestido, Regina toca a luz de seus sapatos.

segunda-feira, 28 de maio de 2012


De drogas amorfas
fel de pudor
cicuta inerte
dispor de armas
cru o peito
carne que apodrece
sabor mórbido
espasmos imberbes
Carrancas máscaras
alquimia pútrida
domínios impossíveis
de expurgar dor inata
sumo de ira plácida
filho morto
monstro ativo
já putrefata

domingo, 27 de maio de 2012

Arranca de mim
pura e suave besta
feroz carnificina de medo
quieto furor de vontade
Arranca de mim o silêncio
o atroz sangrar de vazio
todos desejos que fio
tremor de tranquilo enredo
Arranca de mim a verdade
que repousa mórbida sagrada
me dou de refúgio cansada
segregando meu primeiro segredo
Arranca, arranca de mim
de sorriso, fingir e abraço
de esgar e puro cansaço
o que adormece em simpatia
Arranca de mim a agonia
num só triscar de vista
traz tudo que resista
a ser fiel massacrado

quinta-feira, 24 de maio de 2012

preto branco cinza

Luz baixa, sombras, sombras e bestas em toda parte. Uma mente sombria de luz negra alimenta. Alimenta as sombras.
Na escuridão, terríveis monstros se dominam, o dia se dissipa da existência. Medo, existe uma garota lá, em algum lugar, ou existiu. Explosões de silêncio e sibilar de feras. Mentiras, medo, pequenas e grandes corrupções. Num esgar psicótico, a vida assemelha-se à um poço imundo, cru e disforme. Virar de olhos, cegueira da escuridão. Aquele demônio, mente ferina, conta toda a realidade sobre a mentira, sobre o veneno, sangra a carne de verdade. Os demônios só precisam falar a verdade. Pois tudo é mentira.