domingo, 17 de fevereiro de 2013
À busca pelo não mais ter, a um santo de madeira oca, uma permanência preenchida no amargo, um prato cheio e um peito vazio. A um nivelamento de campo, uma coragem apocalíptica, uma dose de ascórbico. À compra e venda da verdade, ao holocausto molecular, a todo tempo de vida, à lembrança perpétua. À cada tijolo no muro.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Não quero mais tua boca.
De ventos fiz meu ar, em desespero, enquanto teu casulo me afoga no calor estático das coisas não ditas.
Havia feito, tempos atrás, tua boca minha sede, tua boca limpa, sorridente e teus olhos. Bebo agora meu ácido lúdico de silêncio e chuva. Bebo meu peito amargo em copo cheio e tragadas fortes. Bebo a lucidez transversa das cópias, em lógica renegada e necessária. E você, merlô e copo, esfumaça da minha vista, amarga e minha boca, em frio, em apego de fios de corda. A consideração falha em resposta ou conceito, da teoria gasta, quanto mais repulsivo melhor o vinho.
Não quero mais tua boca.
De ventos fiz meu ar, em desespero, enquanto teu casulo me afoga no calor estático das coisas não ditas.
Havia feito, tempos atrás, tua boca minha sede, tua boca limpa, sorridente e teus olhos. Bebo agora meu ácido lúdico de silêncio e chuva. Bebo meu peito amargo em copo cheio e tragadas fortes. Bebo a lucidez transversa das cópias, em lógica renegada e necessária. E você, merlô e copo, esfumaça da minha vista, amarga e minha boca, em frio, em apego de fios de corda. A consideração falha em resposta ou conceito, da teoria gasta, quanto mais repulsivo melhor o vinho.
Não quero mais tua boca.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Casa dos sonhos
Frases e frases ecoam no campo de concreto. Sapatos pequenos e descoloridos das filhas das máscaras, que dançam com os rostos sempre em perfil. Um parceiro gentil após outro, cada um mais sombrio que a sombra de seus próprios parceiros, e suas vestimentas. A mão morna na luva fina, o olhar bailando pelas paredes dando as costas aos olhos. É necessário olhar o azul das paredes, o azul das cúpulas, o branco dos balaústres e vasos, o floreado dos ornamentos e vestes. Desfrutar do pálido creme dos tecidos, do pálido dos rostos, da ausência de perfumes. O rosto, suave, recebendo as mentiras em sorriso e aquiescência, o abraço à agulha fria, recriando níveis sonoros diversos para a melodia silenciosa dos quadros.
Ecoam no silêncio as frases do poeta morto, que nunca ousou recitar a vida e, mais profundamente, a morte da loucura na casa dos sonhos.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Novo Silêncio
Me movo de pés descalços na pedra crua fria que atravessa o rio faminto de quem soturno me quer matar
De traços finos e olhos vazios no meio do nada da noite acerto em cheio a sombra da sina distinta do medo
Se de passo em passo em lento cortejo me apego na alma de odor nauseado a espera infértil e débil do novo silêncio
A esquina transforma em silvo e fumaça na sombra silente que passa nas veias e espero ao menos agora que possa morrer
De traços finos e olhos vazios no meio do nada da noite acerto em cheio a sombra da sina distinta do medo
Se de passo em passo em lento cortejo me apego na alma de odor nauseado a espera infértil e débil do novo silêncio
A esquina transforma em silvo e fumaça na sombra silente que passa nas veias e espero ao menos agora que possa morrer
domingo, 13 de janeiro de 2013
Marina e o violão
Diz, só um pouco, que teu dia foi melhor
Diz que está com saudade, que vai me fazer um carinho
Vem cá, vamos dividir um sorriso e um cobertor
Fala comigo. Sem ti meu ombro é tão sozinho
O que eu posso dizer, se estou triste?
Fala comigo mesmo assim
Me oferece teu tempo e resiste,
Que teu jeito é remédio pra mim
Se chover, ah meu bem, se chover,
Até um abraço te dou,
De largar nunca mais e saber
O que é ou não
Amor
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