Me faz assim, como uma boneca, me aveluda o rosto, fria porcelana, em rosados sorrisos e olhos imóveis. Me faz assim parada, criando silêncio e cultivando inexistências leves. Me move, devagar, me veste, me faz ser algo que se quer, que se tem. Me faz boneca de teus dias quietos, ansiosos. Me faz desejo mudo.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Te diverte, Luiza
Te diverte Luiza
te diverte que vai passar
não tapa teu sorriso
nem te acanha em falar
não tem medo em exagerar
nem te poupa demais
Te diverte o quanto sentir
e abraça sem pensar
faz coisas muito bobas
e te deixa parecer linda
sabes que a noite é longa ainda
mas a vida é muito mais
te diverte que vai passar
não tapa teu sorriso
nem te acanha em falar
não tem medo em exagerar
nem te poupa demais
Te diverte o quanto sentir
e abraça sem pensar
faz coisas muito bobas
e te deixa parecer linda
sabes que a noite é longa ainda
mas a vida é muito mais
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Pó de asa
Por vezes rezo que a noite caia por cima do sol
Passo o dia nesse anseio
Para voltar pra mim
Como um elástico à exaustão
Preciso pouco mais que um resto de sol pra lembrar
Que existe mais que isso
Com a escuridão do ar
Poder me abrir as portas
E logo depois fechar
Fazer mais uma vez um ninho
Pra um só
Passo o dia nesse anseio
Para voltar pra mim
Como um elástico à exaustão
Preciso pouco mais que um resto de sol pra lembrar
Que existe mais que isso
Com a escuridão do ar
Poder me abrir as portas
E logo depois fechar
Fazer mais uma vez um ninho
Pra um só
domingo, 25 de dezembro de 2011
Furador de papel
Dentre as milhares de bolinhas de papel em confete está uma. Nela tem um pedaço do teu nome e um pedaço do te amo. Não sei quem ou como conseguiram passar esse pedaço do meu coração pela brecha do furador de papel.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Diela
Algumas horas se convence de que o amor é pálido. Um ser que usa uma máscara quase igual ao rosto.
O vento é um bálsamo quente para seus olhos tristes. Ao olhar pela janela ela vê o viaduto. Fica olhando para ele. Pensa, o quanto gostaria de se abandonar na altura. Ela sente quase um alívio ao pensar essas coisas de desequilíbrio. Sempre acariciara suas insanidades, ela sabe quem é com elas. Sorri amargo testando, provando um pouco de cada perigo, de cada beirada, como passar os dedos pela chama de uma vela. Numa volta dessas, faria coisas que a fariam pensar mais tarde que teve coragem.
Como se fosse uma parte desconhecida dela, chove. O calor e a dor em sua cabeça, a falta de um real abandono, a estrada que não parece acabar, a secura em sua garganta e a vontade de se entregar às suas pequenas destruições, saborosas vitórias no seu ego. Ela olha. Se vê saindo, caminhando para a chuva, derrubando as coisas e recebendo-a silenciosamente. Desvia o olhar, mas em todo canto chove e o carro é enormemente minúsculo.
Essas partes dela, essas que afastam as pessoas. Justo as que a aproximam dela.
O vento é um bálsamo quente para seus olhos tristes. Ao olhar pela janela ela vê o viaduto. Fica olhando para ele. Pensa, o quanto gostaria de se abandonar na altura. Ela sente quase um alívio ao pensar essas coisas de desequilíbrio. Sempre acariciara suas insanidades, ela sabe quem é com elas. Sorri amargo testando, provando um pouco de cada perigo, de cada beirada, como passar os dedos pela chama de uma vela. Numa volta dessas, faria coisas que a fariam pensar mais tarde que teve coragem.
Como se fosse uma parte desconhecida dela, chove. O calor e a dor em sua cabeça, a falta de um real abandono, a estrada que não parece acabar, a secura em sua garganta e a vontade de se entregar às suas pequenas destruições, saborosas vitórias no seu ego. Ela olha. Se vê saindo, caminhando para a chuva, derrubando as coisas e recebendo-a silenciosamente. Desvia o olhar, mas em todo canto chove e o carro é enormemente minúsculo.
Essas partes dela, essas que afastam as pessoas. Justo as que a aproximam dela.
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