quarta-feira, 5 de abril de 2017

Encerre o ato.
Por trás das cortinas dos teus olhos se emaranham fragmentos dos bastidores de teus sonhos.
Tudo usado, gasto, com a poeira mal batida do teu ânimo.
O que já foi exibido, criado, recitado no teu palco malamanhado de pantomimas diárias, jaz amontado nos dois cantos onde a luz dos teus holofotes não bate mais.
Encerra teu espetáculo e tudo é recolhido, reavaliado, reutilizado, queimado em fogueiras para espantar tuas traças teimosas.
Te prepara para o outro dia, a próxima bilheteria já está pedindo assentos na fileira da frente, trata de tudo parecer limpo e cálido.
Por último, trata o teu silêncio úmido com respeito, ele é o elemento que segura em pé as paredes do teu teatro, ele unirá do ar os resquícios das personas tuas e as guiará para seu devido lugar nas estreitas coxias do teu enredo.
Tudo está quieto.
Agora, tudo que te resta é a arte esgarçada e insuspeitadamente fajuta respirando por trás de tuas cortinas fechadas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

The wicked man is old
He fears without realising
A bold, shocking movement rises
The wicked man runs

The buzzing in his ears
He just needs to go
The deaf pounding of a drum
His lighter thought is a stone

He is on a chase
And his heart is the faster
Not knowing a path
Yet not stopping, all haste

The wicked man is mad
Does not rest, sore his feet
For a fire burns his neverhaves
The wicked man has the Death by his heels

quinta-feira, 14 de abril de 2016

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Sou o apelo, o comedimento, a liberação, aquele olhar.
Sou o toque acidental, o sorriso ao acaso, a graça difusa da idiotice.
Sou o medo que habita o porão do peito e a certeza duvidosa de que tudo é um equívoco.
Sou todo esse desejo contido tremulando no fundo da garganta.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Darkness falls across the land

Anseio por alguém que me fale da escuridão.

Que  tenha  olhos  calmos  de  loucura  e  nos  dedos  o  suave  amargor  de  fumaça.

Preciso que  me  carregue  na   cegueira,   até    romper    a     plasticidade      da       calma.

Que me singularize na seda do silêncio,
conte o que de verdade há na aflição,
o mistério nauseante na massa das horas,
me apresente o voo completo pela casa da noite.

Alguém que me ofereça um café.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Você sabe onde está. Tornou-se forte através dos erros. Não teme, não duvida ou titubeia.


Vê em si mesmo o futuro e, neste futuro, todas as grandes coisas da vida.



O congratulo, estás pronto. Tens tudo que falta ao bom mortal de para cá da linha.




E eu, que tanto amo e quero amar, que tanto repudio o amor e sua fraqueza...




Eu que quero o manjar do mundo inteiro, apenas para resguardar-me de toda a gula e engolimento do que não sei digerir...




Eu que me suspendo alternativamente na fragilidade do corpo e sonho por todas as aventuras da realidade num sono eterno, e, por fim, canso-me da imobilidade de todas as situações...




Eu que quero expurgar a umidade de meu peito num grito, enquanto calo fundo o paralelismo de todas as palavras feitas...




Eu hei de passar por este mundo como quem carrega o lastro infinito do não saber.




Eu hei de procurar pela infinidade todo o saber para atravessar a linha.




Eu nunca realmente saberei.

domingo, 13 de dezembro de 2015



No fim das contas, sempre se percebe, naquele momento de êxtase, no meio do nada.
No fim da corrida ela sabia que a escolha era toda dela. Seguir ou estar. Correr ou voltar. O caminho honrável é o do meio, mas ela sempre acabava escolhendo o da esquerda, ou direita, ou mais esquerda ainda, ao que parecia. A carteira de motorista, só deuses sabem como.
Nos raros momentos de alegria ou outra coisa mais escura, tudo que não virava questão capital na metafísica de seus olhos, transmutava-se numa névoa movediça de cantilenas amadurecidas sobre o passado, já que se encontrava numa área kantiana da existência.
Tudo era quase certo até acontecer.
À você que espera, bonne chance. À mim só resta estar no meu ponto habitual, onde ela me encontrará, e beijará. Promessas serão feitas, mas nunca desculpas.
Eu sei que, naquela névoa - entre luz e sombra - ela, sem dizer: "você sabia".


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Someday a car stopped in front of my house, when I looked again it was just wind. And from it got out this lady person with a red dress and the eyes of the future, and she said to me "Don't you worry, I'm always coming", and she caressed my cheek so I'd know that there's no need for crying for or being afraid of her. At the back seat that wasn't there was her sister, with a different dress, a blue one, and sometimes she seemed prettier but they looked almost the same. Then the lady left, leaving me with nothing more than a smell of rain at my nose and a kind of sense of purple.