Queria, por uma vez, transformar-me em fogo, em ardência pura e anseio. Queimar-me, consumir-te a pele. Num palpitar de faíscas te correr o corpo, num flamejar possesso de furor e loucura. Em força e calma urgência, mergulhar na combustão inflamável do querosene, até a fronte de chama derreter, em lábios lascivos e fulgurantes de sede e brasa satisfeita. Incendiar.
segunda-feira, 18 de março de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Blank
Na planície dos tempos eu vivo. Não há segredo que me liberte, não há mundo. Nada é proibido e, mesmo assim, nada é meu. Na planície é silencio. Mesmo o galope é imaginário e mesmo o imaginário é pura sombra, eco passado. Não há promessa que espere, nem desejo que arda. Na irrealidade da conquista reside meu desengano. O tempo da planície me consome. Mesmo numa brecha de anseio em que deseje uma pausa, temporária que seja, esta mesma se consome em sua própria consciência. Não há código, nem conjuro, quimera que resista. Não há palavra que salve, posto, não há com quem trocá-la. A planície engole a seco amor e resistência. Olhar e objeto. Em aborto e inércia, dissolve. Voz e mistério.
Não há segredo.
sábado, 2 de março de 2013
o gelo
Este ponto.
Este em que teu coração para.
O que cerra teus lábios. Num risco mudo, e teus olhos.
Este ponto escuro em que abraças o frio em teu peito.
Este que tu conheces. Que aprendeste a silenciar.
O que por vezes fala, por teus lábios, por vezes.
Este, mesmo ontem, foi teu e de mais ninguém.
Este, amanhã mesmo, não mais alto que teu sangue.
O mesmo que te é certeza velada.
Este que é o outro.
Este é teu.
Este em que teu coração para.
O que cerra teus lábios. Num risco mudo, e teus olhos.
Este ponto escuro em que abraças o frio em teu peito.
Este que tu conheces. Que aprendeste a silenciar.
O que por vezes fala, por teus lábios, por vezes.
Este, mesmo ontem, foi teu e de mais ninguém.
Este, amanhã mesmo, não mais alto que teu sangue.
O mesmo que te é certeza velada.
Este que é o outro.
Este é teu.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
À busca pelo não mais ter, a um santo de madeira oca, uma permanência preenchida no amargo, um prato cheio e um peito vazio. A um nivelamento de campo, uma coragem apocalíptica, uma dose de ascórbico. À compra e venda da verdade, ao holocausto molecular, a todo tempo de vida, à lembrança perpétua. À cada tijolo no muro.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Não quero mais tua boca.
De ventos fiz meu ar, em desespero, enquanto teu casulo me afoga no calor estático das coisas não ditas.
Havia feito, tempos atrás, tua boca minha sede, tua boca limpa, sorridente e teus olhos. Bebo agora meu ácido lúdico de silêncio e chuva. Bebo meu peito amargo em copo cheio e tragadas fortes. Bebo a lucidez transversa das cópias, em lógica renegada e necessária. E você, merlô e copo, esfumaça da minha vista, amarga e minha boca, em frio, em apego de fios de corda. A consideração falha em resposta ou conceito, da teoria gasta, quanto mais repulsivo melhor o vinho.
Não quero mais tua boca.
De ventos fiz meu ar, em desespero, enquanto teu casulo me afoga no calor estático das coisas não ditas.
Havia feito, tempos atrás, tua boca minha sede, tua boca limpa, sorridente e teus olhos. Bebo agora meu ácido lúdico de silêncio e chuva. Bebo meu peito amargo em copo cheio e tragadas fortes. Bebo a lucidez transversa das cópias, em lógica renegada e necessária. E você, merlô e copo, esfumaça da minha vista, amarga e minha boca, em frio, em apego de fios de corda. A consideração falha em resposta ou conceito, da teoria gasta, quanto mais repulsivo melhor o vinho.
Não quero mais tua boca.
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