sábado, 8 de setembro de 2012


Quando pequena, eu costumava escrever desejos, como pequenas orações, em tirinhas de papel.
A fé. Aquela força de escrever. Queria-a de volta.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Da terra

Deito na relva, corpo estirado, meus dedos passam pelo mato macio. As pedras que brotam da vegetação a meus sentidos, fazem parte do incomodo que também sou. Quando abro os olhos, já, a cadeira que me sustenta dá vista para a janela da noite.
Minha alma vem e vai, em tempos indistintos. Segui, seguimos, num túnel feito de tempo e meia visão, como sempre deve acontecer. Agora olhei na janela e vi de um jeito que me assustou. Várias coisas passaram, certamente más e boas. Depois de ter aberto a caixa, tive medo de ter perdido a chave. Talvez a perdi, talvez. Na caixa tinham tantas coisas apontando caminhos diferentes. Mas coisas me assustam.
A cor dos olhos da minha alma tinha mudado. Sinal do fim dos tempos, diria alguma avó minha. Cascatas desaguaram nesse espelho em que vi seus novos olhos. Não sei o que dizer dessa Alexandrias Genesis, se carrego a tristeza do antigo verde, se me enfeito da alegria do âmbar, se me calo, como faço sempre. Sei que senti de novo o cheiro amadeirado de limão, o cheiro que é tão do verde, e ele ainda é meu. E vejo a beleza das palavras, a beleza agridoce do movimento castanho das palavras, este me veio com a viagem. E a tristeza de todas as cores, que está em todas as vozes.
A alma é bela. Não sei quando vem, não sei quando vai. Nem quando vou, se vou, onde fico.
Acaba o papel, fecha-se a janela, a caixa, e as pedras que ainda existem. Acabam meus olhos.
Mas os outros, ou outros ainda vêem.

domingo, 2 de setembro de 2012

When we get bored
we eat
When we get sad
we eat
When we get nothing at mind
yeah, we eat

quarta-feira, 15 de agosto de 2012


De deuses ou homens




Às vezes, desprende-se de mim um vento avulso, com enganador cheiro de novidade, e me pego abandonando, por um tempo, o véu do não pensar. Meus pensamentos, meninos ou velhos, respiram e olham, desconfiados, a luz da atenção; e as memórias sacodem as saias, lembrando como se dança.
Nessas voltas, volta e meia, volto para um par querido de olhos. Caio, então, na correnteza que é pensar, a ponto de poderem ver em meu rosto o nadar. Lembro de pedaços de ti, lembro com vagar o que da última vez sabia de cor e, daí, busco perigosamente cada parte e o todo que te completa em mim. E lembro do meu querer, da confusão que é entender o que és em mim, com todo o enturvamento de meu coração.
“Assim ela é.”, lembro; “A bela, tão incrivelmente bela”, admiro, ciente da beleza; me soa, então, à mente, numa desatenciosa flor de sentimento e anseio, “Minha bela”. Me surpreendo: “Não. Não minha, jamais minha.” Não podes ser minha de modo algum, nunca duvidei disso. Não podes por várias razões, algumas incomensuráveis de grandes, como seres feita em mim do que te alimento e não do que possivelmente és.
“Como fui pensar isso?”, e logo em seguida encontro a resposta. O fato é que a voz tola que soltou esse inocente absurdo pertence somente a uma parte de mim, mais largada e grande que pretensiosa. É ele, esse pequeno gigante, lindo ogro que me habita, ele que, por grande demais que é, te vê em tua fluidez e te quer, com demasiado carinho, e em disparate toma um pedacinho teu para poder chamá-la de sua, como um afago.
Paciência, então, com ele, que ele nada mais é senão outro cativo teu, assim como eu o sou.



domingo, 22 de julho de 2012

Chávenas

Sinto que conheço Eleonor. Eleonor nem mesmo me sabe, no máximo, talvez, como se pegar olhando um hamster numa loja, e depois se continua andando. Conheço Eleanor pela cor, a forma, a mente estranha, e até o cheiro, se me perguntar. Gosto de Eleonor, temo Eleonor, sua estatura, seus olhos meio amargos sempre olhando pra outro lado. E existe a distancia como a entre a platéia e a dançarina no palco. Deixa assim, Eleanor não me precisa saber.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Aquela moça, vai andando bem ali, a moça vai andando com uma boca que é minha. Minha carne, prazer. Dentes, comida, fumaça, minha boca.