When we get bored
we eat
When we get sad
we eat
When we get nothing at mind
yeah, we eat
domingo, 2 de setembro de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
De deuses ou homens
Às vezes, desprende-se de mim um vento avulso, com enganador cheiro de novidade, e me pego abandonando, por um tempo, o véu do não pensar. Meus pensamentos, meninos ou velhos, respiram e olham, desconfiados, a luz da atenção; e as memórias sacodem as saias, lembrando como se dança.
Nessas voltas, volta e meia, volto para um par querido de olhos. Caio, então, na correnteza que é pensar, a ponto de poderem ver em meu rosto o nadar. Lembro de pedaços de ti, lembro com vagar o que da última vez sabia de cor e, daí, busco perigosamente cada parte e o todo que te completa em mim. E lembro do meu querer, da confusão que é entender o que és em mim, com todo o enturvamento de meu coração.
“Assim ela é.”, lembro; “A bela, tão incrivelmente bela”, admiro, ciente da beleza; me soa, então, à mente, numa desatenciosa flor de sentimento e anseio, “Minha bela”. Me surpreendo: “Não. Não minha, jamais minha.” Não podes ser minha de modo algum, nunca duvidei disso. Não podes por várias razões, algumas incomensuráveis de grandes, como seres feita em mim do que te alimento e não do que possivelmente és.
“Como fui pensar isso?”, e logo em seguida encontro a resposta. O fato é que a voz tola que soltou esse inocente absurdo pertence somente a uma parte de mim, mais largada e grande que pretensiosa. É ele, esse pequeno gigante, lindo ogro que me habita, ele que, por grande demais que é, te vê em tua fluidez e te quer, com demasiado carinho, e em disparate toma um pedacinho teu para poder chamá-la de sua, como um afago.
Paciência, então, com ele, que ele nada mais é senão outro cativo teu, assim como eu o sou.
domingo, 22 de julho de 2012
Chávenas
Sinto que conheço Eleonor. Eleonor nem mesmo me sabe, no máximo, talvez, como se pegar olhando um hamster numa loja, e depois se continua andando. Conheço Eleanor pela cor, a forma, a mente estranha, e até o cheiro, se me perguntar. Gosto de Eleonor, temo Eleonor, sua estatura, seus olhos meio amargos sempre olhando pra outro lado. E existe a distancia como a entre a platéia e a dançarina no palco. Deixa assim, Eleanor não me precisa saber.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
Uma noite comum. Uma festa de rua comum. Mas a noite inteira se apossou dos olhos de Miguel. E nem nada. Continuaram andando, conversando, comprando, comendo. A noite não tinha estrela, uma nuvem ou outra corria medrosa nos olhos de Miguel. A moça via, mas não via também, como paisagem de janela refletindo. E redemoinhava a noite no corpo. Miguel tinha uma boa mira, sempre acertava pelo menos um brinde da barraca de tiro. O anjo da noite carregou vento na vista, trouxe um assobio fundo de começo de cegueira, e a noite girava, girava. E Miguel parado. As luzes, como sombras, eram também noite por dentro. Gritava quieto o assobio escuro na vista, um sorriso sem movimento petrificava o seu rosto. Espera, sorria, acerta Miguel! Silêncio.
Vira. Miguel crava o chumbo na têmpora de Catarina.
domingo, 8 de julho de 2012
Einsamkeit
Ela se engancha nos próprios braços. O silencio que entope seus olhos. O calor que amortece suas veias em profusão. Seu sangue solitário percorre possesso nos dedos sequiosos a face rebelde de sua pele. Todo seu corpo pulsa, ela é toda coração. É inegável neste momento, está viva. E sente, vibra, quente de enlevo e frenesi.
E nesses braços seus que a enlaçam com o ardor da morte, repousa a fria saciedade da inconsciência. A saber, seus lábios sem beijos, que o amargo em seu peito não é o início da loucura.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Olhos
E ali Aira chorou. Chorou pra caralho. Como o céu todo chorasse, sua dor e liberdade a contagiaram. Ela chorou como nunca fazia, especialmente tão próxima da sua dor, que sorria junto com ela sem, claramente, perceber. A dor dela havia tempos tinha passado da agonia de roupas pequenas. Ali, naquele dia, a lua dentro dela gritava, com ganas de enlouquecer a realidade, mas Aira sorria. E nadando no aguaceiro que caía do céu, seus próprios olhos afogando, Aira ainda sorria, porque sua dor, tão linda, estava feliz.
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