Tudo em mim
tem algo de teu.
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
5 Milhas
Agora, chegando, em lugar nenhum, desmonto, como mole jogo de peças de carne dura e fria. Descendo de meu posto, escorro, quente e em pedaços, forço a dor, que em porções grandes, se recusa a sair por meus poros. Terminado meu trabalho, preciso estender-me, distender meus atrofiamentos. Que dor. Dispo-me com cuidado, retirando as roupas brancas com a atenção de quem localiza feridas não previstas, devagar. Assim, sem nada que cubra minhas dores, posso ver minhas formas tortas e machucadas, mas não as quero ver, não necessito vê-las. Todas as preparações maquinais são feitas sem que eu as enxergue. Ando com pés em chão frio, não os sinto, deito em cima de minhas feridas, as sinto tampouco. A inconsiencia não me suporta, também não o consiente, concorro a um estado suspenso de inanição vazia. A maldição da força não me deixa esgotar-me, não me deixa sumir num eco de nada quando já não posso nem me mexer, assim, permaneço com um único foco de luz, com tudo a puxar-me e apertar-me quando não sei o que mais posso pedir. Se por fim a noite me rende, procuro, no fim, não pensar que, logo que se acabar seu anestésico, nenhum ópio me tirará do contínuo, eu ainda estarei aqui.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Falta das uvas
Dê-me meu vinho. Ande, passe cá. Não gastei dinheiro à toa. Ah, o dinheiro era teu? certamente, ainda é incomensurável o que me deves, meu amor.
Vamos, passe. Ainda não abriste? Dá-me, deixa que eu mesmo faço.
Sim, agora sim. Agora sinto-me melhor. Que este álcool tão minguado carregue meus pesos em seus ombros, pouco me importa se me subirá neles depois, com todo o peso junto. Livre-me deles agora, é tudo o que peço. Que olhas tanto com esta cara besta? Que me olhas também? Não faças esta cara de espanto. Olhas o vinho? Queres? Não, não meu bem, não suportas arcar com outra entidade a tentar sobrepujar a tua. Pensas que estou sendo sovina? ora, não, apenas te conheço bem, e sei o efeito que terá esta vida com este ambiente. Sei que não insistirás, não é do teu feitio a convicção.
Sinto agora que poderia dançar. Não, não te preocupes, não dançarei, apenas porque dispende muita energia manter-me comigo.
Que falas? Ora, virtude! Virtude é ser vilipendiado inopinadamente e sem contestação pela vida? Deixe-me, eu mesmo, fazer o que me apraz dela. Que me importa se é virtuoso ou não?! E não exageres, pois, que também não estou a fazer nada demais. Nada que não me seja merecido.
Ris, achas que mereço o que me vier? O que tem me vindo? Que sabes tu? Nunca tomas partido, tampouco fazes alguma coisa, não sabes nada. E vamos, deixe-me descansar, um pouco de tempo, um tanto de liberdade e outro de álcool não hão de fazer mal nem mesmo a mim.
Vai. É o melhor que fazes mesmo. Deixa-me engolir sozinho tudo que sai enquanto entra o vinho.
Vai. É o melhor que fazes mesmo. Deixa-me engolir sozinho tudo que sai enquanto entra o vinho.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Tarde
O carro velho, o radio ligado na velha estação, aquelas velhas músicas. Ela adorava aquilo. E aquelas tardes com cheiro de lembrança, bons momentos de não falar nada, só deixar a musica, os raios do sol e o movimento do carro te preencher. Ela tinha certeza de que isso ia acabar. Mesmo sem saber porquê.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Agora
Agora. Agora começo a sentir.
Agora começo a sentir tudo.
Sinto. E não sei se preferia quando não sentia.
Não sei.
Raiva. Tristeza. Dor. Impulso. Injustiça. Raiva. Dor. Agonia. Angustia. Raiva. Raciocínio. Escape. Dor.
É tudo.
É tudo o que sei.
Agora começo a sentir tudo.
Sinto. E não sei se preferia quando não sentia.
Não sei.
Raiva. Tristeza. Dor. Impulso. Injustiça. Raiva. Dor. Agonia. Angustia. Raiva. Raciocínio. Escape. Dor.
É tudo.
É tudo o que sei.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Caixa de Música
Desço à minha caixa de música. Sim, desço, deixo o som embalar meus passos que tremulam, tremem, antes do salto final. As notas, as pequenas, retumbantes, invadem, não, eu as permito. Entrem, vamos! Tomem conta, tudo em mim agora é vosso, ensinem-me a vida etílica das melodias em alto volume. Façam-me surda, fechem meus olhos, os embacem. Tomem minhas mãos e meu raciocínio, façam o que lhes é necessário para encarnarem. Desço, e as paredes desse corredor oscilam, firmes, frias, maravilhosas. E lá, sim, sim! Lá estarei, lá em baixo, minha caixa sonora, minha música ensurdecedora e mãe, estou e estarei, no meio, nos fins, dançando, juntando meu som, feamente, a tudo, até a música acabar.
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