terça-feira, 3 de maio de 2011

Noite (de alguém)

     Ele toma fôlego. Ela o surpreende. Ele se contém para não dizer “eu te amo”, ele não deve fazer isso, sabe que não cairia bem, nem para a garota nem para os dois. Não que ele sinta mesmo isso. Não demora muito ele se recupera e olha para o lado, mas ela já está fechando a calça e assanhando o cabelo.

     Ela estava no bar, olhava para as pessoas procurando algo interessante, ela já é conhecida por ali. Ele estava com ela. Ela bebe quase como um pirata, mas isso não altera em nada sua maneira, apenas talvez torne seu sorriso mais atraente. Ele a quer.

     Ele a chama e se levanta para alcançá-la antes que saia. Diz agarrando-a:

     – Ei, tá indo aonde? Você não quer ficar... mais um pouquinho? – rindo-se, olha para baixo.
     Ela olha para baixo, sorri e diz, já indo para trás:
     – Sem querer ofender, mas você vai precisar de muito mais do que isso para me fazer ficar.

     Ela anda pela noite, o ar frio alfineta seu humor. Ainda não tinha chegado ninguém que a fizesse querer ficar. Mas ela não esperava que chegasse.

Impossibilidade

Todos esses meus desejos, vivos verdes e quentes, desejo-os e me atraem incontrolavelmente.
Mas se, enfim, possuísse seus objetos, não saberia o que fazer com eles.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Mistério

Detesto quando, como nos livros, descobrimos que o que até então era Mistério, não passa de uma realidade, comum, escondida sob uma manta.
Mistério é uma coisa, realidade tem que ser outra.

domingo, 1 de maio de 2011

Estrada da Noite

Veja meus dentes, recue ou vai experimentá-los, recue, eu sou pior que você.

Olhe, amor, tem passarinhos no teto.



Você já viu o teto? Tem passarinhos. E florezinhas.
Vamos, abra os olhos.
Diga, sou eu ou o teto que você não quer ver?