Havia muita gente na casa naquela tarde. Quase todos os tios, primos, amigos e parentes de todos os graus estavam espalhados pelas salas, jardim, cozinha, quartos e até banheiros. Crianças já haviam sido acomodadas em camas, algumas eu nem conhecia. Mas a desordem não era tão grande, uma vez que a casa não era pequena e que parte dos convidados não se conhecia, o que levava a formarem-se alguns grupos distintos.
No meio de tanta gente havia esquecido de Adam. Até que Vincent, meu sobrinho mais carinhoso, o trouxe pela mão da varanda isolada porque não iria deixar ele lá sozinho. Adam Carrel estivera chorando e Vincent sabia disso, e eu também. Meu sobrinho gostava muito de Adam, meu mais novo amigo-mais-chegado, ao contrário de sua irmã Meggan, que achava-o pouco atrativo e muito taciturno, ainda que ela não soubesse essa ultima palavra.
domingo, 21 de março de 2010
Tremel
Tremeluzentes, escuros e apagadiços como as lembranças, voam os pássaros e agitam-se imóveis os galhos da árvore, no passo que me vou, e abandono minha memória ao vento inquieto com todas as suas partículas de poeira que um dia tocaram minha pele e adentraram meus pulmões.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Caminho
Então, arrumei minhas malas
Despedi-me dos amigos e parentes
Deixei com alguns o que não poderia leva
Livrei-me de embalagens, telefones
Datas, prudências, mágoas
Entre tantas outras tralhas que não serviriam
E saí
Sem saber o que ainda estaria levando
O peso do deixado
Mais leve do que o da ansiedade do trajeto
Fui como quem já sabe pra onde
Mas só sabia que estava indo
Acabando por não chegar em lugar nenhum
Ou em vários deles
Despedi-me dos amigos e parentes
Deixei com alguns o que não poderia leva
Livrei-me de embalagens, telefones
Datas, prudências, mágoas
Entre tantas outras tralhas que não serviriam
E saí
Sem saber o que ainda estaria levando
O peso do deixado
Mais leve do que o da ansiedade do trajeto
Fui como quem já sabe pra onde
Mas só sabia que estava indo
Acabando por não chegar em lugar nenhum
Ou em vários deles
Febre
Vários talhos na palma da mão. Pequenos e profundos, vários deles. De folhas que segurei enquanto caminhava. De espinhos escondidos. Talhos da minha faca. Difícil aprender o pôr da luva. A menos que corte-lhe os dedos. De vento. Talhos de velho.
Febre
Um que (aunque) tempos antes se afastava do que de alguma forma fazia mal, ou só talvez, agora retorna braços abertos à lamina e ao aço, sua gelidez atrai como uma sede. Inevitáveis e viciantes cortes, profundos ou não.
Urihi (''Primeira coisa; as árvores vivem'')
Todos os espíritos sussurravam
Árvores chiavam e sopravam
Mananga pegou o punhalDe todos os fortes
Todos índios tocavam
As flautas sagradas e tambores
E junto à sua mão no punhalAs mãos de todos os avós
Xamã entrou no fogo
E dançou com ele
Os espíritos xapiripë comandavamE fluíam curando tapuio doente
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